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06 de novembro de 2026
Dólar sobe 5,22% em outubro, marcado por forte volatilidade cambial
Moeda encerrou o mês próxima de R$ 5,44; especialistas apontam revisão de expectativas e incertezas fiscais como fatores de pressão
O dólar encerrou outubro com alta de 5,22%, em um mês marcado por mudanças nas expectativas dos investidores e forte oscilação frente ao real. Segundo o UOL Economia, a moeda norte-americana fechou o último pregão, em 30 de outubro, a R$ 5,444. Somente na última semana, a valorização chegou a 9,04%, mostrando que o resultado mensal reúne movimentos de intensidade e direção diferentes.
A revisão das posições dos investidores ajuda a explicar essa trajetória. Em análise publicada pela J.P. Morgan Asset Management, a gestora aponta que o mercado chegou ao segundo turno com posições favoráveis ao real, sustentadas tanto pelas expectativas eleitorais quanto pelos juros brasileiros elevados. A reversão dessas apostas após o resultado das urnas intensificou a pressão sobre a moeda brasileira.
Fonte: Valor Econômico
Para Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, o movimento refletiu uma revisão do risco atribuído ao Brasil. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o especialista relacionou os ajustes à desmontagem das apostas anteriores ao segundo turno e à cobrança de uma remuneração maior para investir no país, principalmente diante das preocupações com as contas públicas. Na avaliação dele, esse cenário também pressiona os juros de longo prazo e dificulta reduções mais intensas da Selic.
A reação, entretanto, não ocorreu de forma linear. Conforme reportagem da Reuters, o real recuperou parte das perdas em 27 de outubro, quando o dólar voltou à região de R$ 5,31. Analistas do JPMorgan ouvidos pela agência destacaram a falta de clareza sobre o próximo mandato e a possibilidade de novas avaliações dos investidores à medida que as propostas econômicas fossem apresentadas.
No encerramento do mês, a atenção permanecia concentrada nas sinalizações fiscais. Em comentário reproduzido pelo UOL Economia, a Monte Bravo avaliou que a definição do ministro da Fazenda precisaria vir acompanhada de medidas concretas para as contas públicas, capazes de contribuir para a estabilização das expectativas.
Para os exportadores de madeira, a trajetória de outubro evidencia a diferença entre uma cotação mais elevada e um resultado financeiro mais previsível. A valorização do dólar pode ampliar a receita convertida em reais, mas seu efeito depende do momento do recebimento, das condições dos contratos e da participação de despesas dolarizadas na operação.
A leitura do mês, portanto, exige acompanhar tanto a variação acumulada quanto a velocidade das mudanças. As análises dos especialistas apontam que a política fiscal, a composição da equipe econômica e a revisão das posições dos investidores estiveram no centro das oscilações de outubro. Para o planejamento comercial, isso reforça a importância de avaliar preços e margens considerando diferentes cenários cambiais.