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08 de outubro de 2026

Exportações de madeira recuam em setembro e no terceiro trimestre

Exportações de madeira recuam em setembro e no terceiro trimestre

Receita diminuiu 7,7% frente a agosto e 13,5% ante o segundo trimestre, embora permaneça acima dos mesmos períodos de 2025

As exportações brasileiras dos dez produtos de madeira acompanhados pela WoodFlow somaram US$ 127,3 milhões e 461 mil metros cúbicos em setembro de 2026. Segundo levantamento da empresa com dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o resultado representa queda de 7,7% em receita e de 12,8% em volume na comparação com agosto.

Em relação a setembro de 2025, houve crescimento de 12,7% em valor e de 10,5% na quantidade embarcada. A melhora anual, porém, convive com uma desaceleração recente: setembro registrou o menor volume mensal de 2026 e a quinta redução consecutiva da receita desde o pico de abril.

“O setor exportou mais do que em setembro do ano passado, mas perdeu quase 68 mil metros cúbicos em relação a agosto. Para a indústria, essa diferença importa porque o volume embarcado ajuda a orientar a programação da produção e as negociações com compradores. O crescimento anual ainda precisa se transformar em uma recuperação mais consistente ao longo dos meses”, analisa Gustavo Milazzo, CEO da WoodFlow.

 

Fonte: WoodFlow, com dados ComexStat.

Serrado de pinus concentra queda enquanto compensado avança

O serrado de pinus foi o principal responsável pela redução mensal da receita. As vendas atingiram US$ 46,5 milhões e 186,2 mil metros cúbicos, quedas de 20,4% e 21,5%, respectivamente, frente a agosto. A perda foi de US$ 11,9 milhões. Na comparação anual, a receita cresceu 2,3%, mesmo com retração de 9,3% no volume.

O compensado de pinus seguiu em direção diferente, com US$ 57 milhões e 180,8 mil metros cúbicos exportados. Os avanços foram de 5,2% em valor e 3,8% em volume no mês, e de 38,9% e 37,6% sobre setembro de 2025. O ganho mensal de US$ 2,8 milhões, contudo, compensou apenas parte da queda do serrado. Juntas, as duas categorias responderam por 81,3% da receita analisada.

Entre os produtos tropicais, o serrado movimentou US$ 8,1 milhões e 14 mil metros cúbicos, com recuos mensais de 25,2% em receita e 75,2% em volume. Frente a setembro de 2025, as baixas foram de 21,6% e 24,6%. Já o compensado tropical alcançou US$ 2,4 milhões e 6,5 mil metros cúbicos. Embora tenha caído 2% em valor e 23% em volume ante agosto, cresceu 39,3% e 63,1%, respectivamente, na comparação anual.

O compensado de eucalipto também apresentou recuperação mensal, com altas de 18,3% em receita e 48,2% em volume, para US$ 1,3 milhão e 4,1 mil metros cúbicos. O resultado permaneceu distante do registrado um ano antes, com quedas de 52,9% e 51,4%, respectivamente.

Nas toras, o eucalipto se destacou pelo avanço para US$ 4,4 milhões e 50,2 mil metros cúbicos. A receita cresceu 129,2% e o volume, 102,4% ante agosto. Sobre setembro de 2025, as altas chegaram a 220,6% e 168,7%. As toras de pinus, com participação menor, somaram US$ 156,4 mil e 1.153 metros cúbicos, aumentos mensais de 127,3% em valor e 119,6% em volume. Na comparação anual, cresceram 23,9% e 3,6%.

As toras de teca recuaram para US$ 5,5 milhões e 14,5 mil metros cúbicos, quedas de 20% em receita e 27,3% em volume frente a agosto. Sobre setembro de 2025, as perdas foram de 33,7% e 43,5%. O serrado de teca registrou US$ 2 milhões e 3,4 mil metros cúbicos, com baixas mensais de 4,4% em valor e 27% em volume. Em um ano, a receita avançou 9,8%, enquanto a quantidade diminuiu 5,6%. As toras tropicais não registraram embarques em setembro, ante movimentações positivas nas duas bases de comparação.

Trimestre perde ritmo e mantém atenção sobre o mercado americano

Entre julho e setembro, as exportações dos dez produtos totalizaram US$ 418,1 milhões e 1,55 milhão de metros cúbicos. Frente ao segundo trimestre, quando foram vendidos US$ 483,3 milhões e 1,92 milhão de metros cúbicos, houve retração de 13,5% em receita e de 19,5% em volume. Na comparação com o terceiro trimestre de 2025, os resultados foram positivos: altas de 12,9% e 6,7%, respectivamente.

Oito das dez categorias perderam receita e volume em relação ao trimestre anterior. As exceções foram as toras de teca, com avanços de 6,8% em valor e 2,7% em volume, e o serrado de teca, com altas de 0,3% e 4,5%. Nos dois principais produtos, o compensado de pinus recuou 11% em receita e 12,9% em volume, enquanto o serrado de pinus caiu 15,8% e 20,3%. Ambos, contudo, cresceram sobre o terceiro trimestre de 2025: o compensado avançou 21,3% em valor e 17% em volume, e o serrado, 10,8% e 0,1%.

Os Estados Unidos receberam US$ 110,3 milhões e 366,3 mil metros cúbicos no trimestre, quedas de 27,5% e 29,1% frente a abril a junho. Mesmo assim, as vendas ao país ficaram 9,1% acima em receita e 1,8% em volume na comparação com julho a setembro de 2025. A participação americana na receita total passou de 31,5% no segundo trimestre para 26,4% no terceiro.

“Dos US$ 65,2 milhões que deixamos de exportar em relação ao trimestre anterior, US$ 41,7 milhões correspondem à redução das vendas aos Estados Unidos. Isso equivale a cerca de 64% da queda. É um movimento que precisa ser acompanhado junto das sobretaxas anunciadas em julho, que somam 37,5% para vários tipos de madeira, conforme o MDIC. As barreiras comerciais alteram a competitividade dos fornecedores e exigem rever preços, contratos e destinos”, avalia Milazzo.

A leitura de setembro também mostra diferenças dentro desse mercado. A receita total destinada aos EUA ficou praticamente estável frente a agosto, com alta de 0,3%, enquanto o volume caiu 4,8%. O compensado de pinus ampliou suas vendas ao país em 47,4%, em valor, mas o serrado de pinus perdeu 34,7%. Assim, o comportamento americano no trimestre não explica, sozinho, a queda mensal do conjunto analisado.

Outros destinos ampliaram as compras na comparação entre o terceiro trimestre de 2026 e o mesmo período de 2025. O México movimentou US$ 57 milhões, alta de 21,3%, e o Reino Unido, US$ 15,5 milhões, avanço de 35,4%. A Alemanha alcançou US$ 12,8 milhões, crescimento de 107,1%. Ainda assim, a recuperação trimestral sobre 2025 não eliminou a diferença no acumulado do ano: de janeiro a setembro, as exportações somaram US$ 1,275 bilhão e 5,02 milhões de metros cúbicos, quedas de 1,9% em valor e 2,2% em volume.

“O avanço em mercados como México, Reino Unido e Alemanha mostra oportunidades concretas, mas os resultados variam por produto e destino. A reunião comercial entre Brasil e Estados Unidos em 30 de setembro manteve aberta a negociação sobre as barreiras. Enquanto esse processo avança, o exportador precisa desenvolver compradores e avaliar a margem de cada operação. O desafio para o último trimestre é dar regularidade aos embarques e preservar a rentabilidade”, conclui o CEO da WoodFlow.


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