Início Blog WoodFlow Frete marítimo volta a subir em maio e acende alerta para exportadores
08 de junho de 2026
Após um início de ano marcado por relativa estabilidade, os fretes marítimos de contêineres voltaram a registrar altas expressivas ao longo de maio e início de junho. O movimento reflete uma combinação de fatores geopolíticos e operacionais que têm pressionado os custos logísticos globais e exigindo atenção redobrada das empresas exportadoras.
De acordo com o índice World Container Index (WCI), da consultoria Drewry, as tarifas de transporte de contêineres apresentaram sucessivas elevações durante o mês de maio. Na semana encerrada em 21 de maio, o índice avançou 12%, alcançando US$ 2.553 por contêiner de 40 pés, impulsionado principalmente pelas rotas entre Ásia, Europa e América do Norte.
O cenário se intensificou na última semana do mês. Segundo a Drewry, a antecipação da chamada peak season, período de maior movimentação do comércio internacional, aumentou a procura por espaço nos navios e contribuiu para uma nova elevação das tarifas.
Já no início de junho, os fretes registraram um salto ainda mais significativo. O índice da Drewry atingiu US$ 3.433 por contêiner de 40 pés, uma alta semanal de 23%. De acordo com análise publicada pelo portal Seatrade Maritime, além da demanda sazonal antecipada, o mercado segue absorvendo os impactos das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que têm provocado alterações em rotas marítimas e aumento dos custos operacionais.
O conflito na região continua sendo um dos principais fatores de preocupação para o setor. As mudanças de rota para evitar áreas de risco aumentam o tempo de trânsito das embarcações, elevam o consumo de combustível e pressionam os custos do transporte marítimo em diversas regiões do mundo. Em algumas rotas, veículos internacionais relatam aumentos expressivos nos valores praticados no mercado spot de contêineres.
Apesar desse ambiente de custos mais elevados, a Organização Mundial do Comércio (OMC) avalia que o transporte marítimo de contêineres segue operando em níveis acima da tendência histórica. De acordo com a matéria da Reuters, em relatório divulgado no início de junho, a entidade apontou sinais de desaceleração gradual do comércio global, mas destacou que os indicadores de movimentação de cargas permanecem resilientes, demonstrando que a demanda internacional continua sustentando o fluxo de mercadorias entre os principais mercados consumidores e produtores do mundo.
Para exportadores brasileiros, o cenário reforça a necessidade de acompanhamento constante dos custos logísticos e das condições do transporte marítimo. Embora o comércio internacional apresente sinais de moderação, a combinação entre demanda ainda aquecida, restrições operacionais e instabilidade geopolítica continua influenciando diretamente os custos de exportação.
01 de junho de 2026