Início Blog WoodFlow Frete marítimo reage à escalada geopolítica e volta a pressionar custos em março
01 de abril de 2026
O mês de março marcou uma inflexão no comportamento dos fretes marítimos internacionais, com retomada de alta e aumento da volatilidade, em um cenário diretamente influenciado pela escalada das tensões no Oriente Médio e seus desdobramentos logísticos.
Segundo a CNN Brasil, o conflito elevou os custos de frete, combustível e seguros, além de introduzir prêmios de risco nas operações, especialmente em rotas com destino à Ásia. Esse movimento reforça a rapidez com que eventos geopolíticos passam a impactar a formação de preços no comércio global.
Os efeitos da guerra já eram percebidos no início do mês inclusive fora da região diretamente afetada, indicando um transbordamento dos custos logísticos para diferentes mercados e rotas, com impacto também sobre operações envolvendo o Brasil.
Segundo o portal Economic News Brasil, o frete marítimo global atingiu US$ 2.172 por contêiner de 40 pés e registrou a terceira alta consecutiva em março, sinalizando um movimento de recuperação de tarifas após períodos mais pressionados.
Do ponto de vista operacional, a consultoria C.H. Robinson aponta a reconfiguração das rotas globais — com desvios pelo Cabo da Boa Esperança e restrições em pontos estratégicos como o Canal de Suez e o Estreito de Ormuz — aumentou o tempo de trânsito, reduziu a capacidade efetiva e ampliou a pressão sobre os preços.
Ao mesmo tempo, armadores passaram a adotar sobretaxas emergenciais de combustível em diferentes rotas ao longo do mês, como forma de compensar o aumento dos custos operacionais e a instabilidade no mercado. Esse movimento ganha ainda mais intensidade, segundo a Freightos, com a expectativa de uma nova onda de sobretaxas globais e reajustes tarifários, incluindo aumentos significativos por contêiner em rotas estratégicas, refletindo uma tentativa do setor de recompor margens em um ambiente mais incerto.
No consolidado, março evidencia um retorno do frete marítimo a um ambiente de maior pressão e imprevisibilidade. Mais do que uma alta pontual, o que se observa é uma mudança na dinâmica do mercado, com maior sensibilidade a riscos geopolíticos, custos adicionais e necessidade de planejamento logístico mais estratégico por parte dos exportadores.