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10 de setembro de 2026

Exportações de madeira avançam 27,8%, mas recuam ante julho

Exportações de madeira avançam 27,8%, mas recuam ante julho

Receita avança 27,8% em relação a agosto de 2025, porém recua 10,2% frente a julho do mesmo ano; compensado de pinus concentra queda no mercado norte-americano

As exportações brasileiras dos 10 produtos madeireiros acompanhados pela WoodFlow movimentaram US$ 136,8 milhões em agosto de 2026, com o embarque de 528,9 mil metros cúbicos. Na comparação com agosto de 2025, o resultado representa crescimento de 27,8% em valor e de 19,5% em volume, segundo dados do ComexStat.

A leitura mensal, entretanto, aponta perda de ritmo. Em relação a julho, quando as exportações somaram US$ 152,2 milhões e 560 mil metros cúbicos, houve retração de 10,2% na receita e de 5,6% no volume.

Fonte: WoodFlow, com dados ComexStat.

“Agosto apresenta um resultado positivo quando comparado ao mesmo mês do ano passado, porém a redução frente a julho mostra que a recuperação ainda não é uniforme. O setor continua lidando com mudanças nas condições de acesso a mercados importantes, pressão sobre preços e necessidade de redirecionar parte das vendas”, analisa Gustavo Milazzo, CEO da WoodFlow.

Crescimento de agosto ainda não reverte queda acumulada

Em 2026, agosto marcou o quarto mês consecutivo de redução da receita mensal desde o pico de US$ 173 milhões alcançado em abril de 2026. Entre abril e agosto, a queda acumulada foi de aproximadamente 21%.

De janeiro a agosto de 2026, os embarques totalizaram 4,56 milhões de metros cúbicos e US$ 1,15 bilhão. Na comparação com o mesmo período de 2025, houve retração de 3,4% em volume e de 3,5% em valor. O desempenho de agosto, portanto, reduziu parte da diferença, mas ainda não foi suficiente para colocar o acumulado do ano em terreno positivo.

O resultado mensal permaneceu bastante concentrado. O serrado de pinus movimentou US$ 58,4 milhões, enquanto o compensado de pinus respondeu por US$ 53,2 milhões. Juntos, os dois produtos representaram 81,6% de toda a receita analisada no mês.

Compensado de pinus concentra recuo das vendas aos EUA

Os Estados Unidos receberam US$ 31,4 milhões dos produtos analisados em agosto, uma redução de 29,3% em relação aos US$ 44,5 milhões registrados em julho. O volume destinado ao país diminuiu 15,9%. Com esse movimento, a participação norte-americana na receita mensal das exportações de madeira caiu de 29,2% em julho para 23% em agosto.

A retração ficou concentrada principalmente no compensado de pinus. As vendas do produto para os Estados Unidos passaram de US$ 23,7 milhões em julho para US$ 12,2 milhões em agosto, queda de 48,3%. O volume recuou 25,3%, enquanto o valor médio diminuiu 30,8%.

Nos demais destinos, a receita obtida com o compensado de pinus permaneceu praticamente estável, próxima de US$ 41 milhões. Isso indica que a queda mensal da categoria, de 17,5% em valor, esteve diretamente concentrada no mercado norte-americano.

Agosto foi o primeiro mês completo após a entrada em vigor, em 22 de julho, da tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos a determinados produtos brasileiros. Outra medida estabeleceu uma sobretaxa de 12,5%, que pode se acumular com a primeira quando ambas alcançam a mesma mercadoria. O enquadramento, porém, varia conforme a classificação tarifária e as exceções aplicáveis a cada produto.

No acumulado de janeiro a agosto, as exportações de madeira analisadas com destino aos Estados Unidos caíram 28,3% em valor e 29,3% em volume. A participação do país na receita total recuou de 33,8% no mesmo período de 2025 para 25,1% em 2026.

Serrado de pinus avança com destinos mais diversificados

O serrado de pinus apresentou uma dinâmica diferente. Em agosto, as vendas para os Estados Unidos ficaram praticamente estáveis frente a julho, próximas de US$ 15 milhões. No acumulado do ano, contudo, a receita obtida no país caiu 37,6%, uma perda de aproximadamente US$ 69,1 milhões em relação a 2025.

Mesmo com essa redução, as exportações totais de serrado de pinus cresceram 4,6% em valor e 3,4% em volume entre janeiro e agosto. O resultado foi sustentado pelo avanço em outros mercados.

O México comprou US$ 104,8 milhões do produto no período, alta de 31,3%. As vendas para a Espanha chegaram a US$ 26,8 milhões, crescimento de quase 200%, enquanto a Itália passou de US$ 343 mil em 2025 para US$ 18,1 milhões neste ano. Indonésia, Vietnã, Uruguai e Marrocos também ampliaram suas compras.

México, Espanha, Itália, Indonésia e Uruguai acrescentaram, juntos, aproximadamente US$ 79,5 milhões às exportações de serrado de pinus no acumulado do ano, compensando a perda registrada no mercado norte-americano.

“A diversificação deixou de ser apenas uma estratégia de longo prazo e passou a ser uma necessidade imediata. O crescimento em países como México, Espanha, Itália e Indonésia mostra que existem alternativas, mas a consolidação desses destinos exige relacionamento comercial, adaptação dos produtos e regularidade de fornecimento”, destaca o CEO da WoodFlow.

Para os próximos meses, o comportamento das vendas aos Estados Unidos, especialmente do compensado de pinus, será determinante para o desempenho do setor. Ao mesmo tempo, a continuidade dos embarques para os mercados que ganharam espaço em 2026 indicará se a diversificação observada até agosto representa uma mudança mais consistente ou um movimento pontual.

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