Início Blog WoodFlow Fretes seguem voláteis e exigem cautela dos exportadores
01 de setembro de 2026
Fretes seguem voláteis e exigem cautela dos exportadores
Os fretes marítimos encerraram o mês de agosto de 2026 sem uma direção única entre as principais rotas globais. Conforme a Xeneta, enquanto os embarques do Extremo Oriente para os Estados Unidos seguiram pressionados, com alta nas rotas para as costas Leste e Oeste, os corredores para a Europa começaram a mostrar perda de força. O movimento confirma um mercado ainda desorganizado, no qual a capacidade disponível, a demanda antecipada e os riscos geopolíticos continuam pesando sobre a formação dos preços.
A pressão foi mais evidente nas rotas ligadas aos Estados Unidos. Segundo a Xeneta, em 12 de agosto o frete spot do Extremo Oriente para a Costa Leste norte-americana chegou a US$ 10.249 por contêiner de 40 pés, valor 287% acima do nível registrado antes da crise no Oriente Médio. Uma semana depois, a consultoria apontou novo avanço, para US$ 10.527 por FEU. Já o World Container Index da Drewry mostrou que, na última semana do mês, o índice global recuou 1%, para US$ 4.473 por contêiner de 40 pés, puxado pela queda nas rotas transpacíficas e Ásia-Europa. Ou seja, houve algum alívio no fim de agosto, mas sem retorno a um patamar de normalidade.
Entre os fatores que explicam a oscilação estão a gestão de capacidade pelos armadores, a antecipação de embarques e o impacto persistente das tensões no Oriente Médio. A Reuters mostrou que o tráfego de navios de commodities pelo Estreito de Hormuz voltou a ficar abaixo da média de dez dias no fim de agosto, sinalizando que o risco logístico seguia presente em uma das regiões mais sensíveis para o transporte marítimo e para os combustíveis. Para os embarcadores, esse tipo de instabilidade tende a aparecer não apenas no preço do frete, mas também em sobretaxas, prazos mais longos, mudanças de rota e menor previsibilidade de booking.
Para os exportadores brasileiros de madeira, o principal alerta é que o custo logístico segue como variável estratégica na negociação internacional. Madeira serrada, compensados e painéis competem em mercados sensíveis a preço, prazo e regularidade de entrega, especialmente quando o destino envolve Estados Unidos e Europa. Em um ambiente de fretes voláteis, a recomendação é acompanhar os indicadores globais, negociar embarques com antecedência, comparar rotas e incluir possíveis oscilações nos cálculos comerciais. O recuo observado no fim de agosto deve ser lido mais como uma trégua pontual do que como normalização definitiva do mercado marítimo.
24 de agosto de 2026