Início Blog WoodFlow Exportações de madeira recuam em volume, mas receita mostra maior resistência em julho
10 de agosto de 2026
As exportações brasileiras dos dez produtos de madeira acompanhados pela WoodFlow recuaram em julho, mas a diferença entre o comportamento do volume e da receita mostra que a queda não foi homogênea. Foram exportados 560,2 mil m³ no mês, volume 10,2% inferior aos 624,1 mil m³ registrados em junho. Em valor, porém, a retração foi bem menor, de 2,6%, passando de US$ 154,6 milhões para US$ 150,6 milhões.
Na comparação com julho de 2025, a receita permaneceu praticamente estável, com leve alta de 0,2%, enquanto o volume recuou 5,5%. A diferença entre os indicadores está relacionada também à composição da pauta exportadora: o valor médio da cesta analisada passou de aproximadamente US$ 247,75 por m³ em junho para US$ 268,82 por m³ em julho, avanço de 8,5%.
No acumulado de janeiro a julho, os dez produtos somam 4,03 milhões de m³ exportados e US$ 1,006 bilhão em receita. Na comparação com o mesmo período de 2025, os resultados representam quedas de 5,7% em volume e 6,8% em valor. Frente a 2024, entretanto, a diferença é bem menor: -1,6% em volume e -1,7% em valor.
Fonte: WoodFlow, com dados ComexStat.
Segundo o CEO da WoodFlow, Gustavo Milazzo, as exportações seguem em um ritmo abaixo do esperado pelos exportadores, sobretudo diante da incerteza geopolítica global. “Guerras, tarifas, valorização do real frente ao dólar, fretes mais caros e a nossa ineficiência logística interna deixam o produto brasileiro menos competitivo. Acredito que essa soma de fatores deixa o setor mais sujeito a variações negativas e é preciso agir para atravessar mais esse momento”.
Para Gustavo, o setor precisa ampliar a diversificação de mercados e investir em novos produtos. “Esse novo mercado, inclusive, pode estar mais perto do que se imagina. Devemos fomentar o mercado interno e, para isso, são necessárias políticas públicas que estimulem a construção civil sustentável e reconheçam os produtos madeireiros como matéria-prima estratégica”, diz o executivo.
Os dados também mostram uma mudança importante na distribuição dos mercados compradores. Em julho, as exportações dos dez produtos analisados para os Estados Unidos somaram US$ 42,7 milhões, queda de 14,7% frente a junho e de 18,4% na comparação com julho de 2025. Com isso, a participação americana no valor exportado caiu de 34,9% em julho do ano passado para 28,4% neste ano.
No acumulado de janeiro a julho, as vendas aos Estados Unidos alcançaram US$ 254,3 milhões, 31,4% abaixo do mesmo período de 2025. Já as exportações destinadas aos demais mercados cresceram 6% no período, reforçando um movimento de diversificação dos destinos.
Os dois principais produtos da pauta analisada pela WoodFlow continuaram concentrando a maior parte da receita em julho. O compensado de Pinus respondeu por US$ 62,8 milhões e a madeira serrada de Pinus, por US$ 61,8 milhões. Juntos, movimentaram US$ 124,6 milhões, o equivalente a 82,7% de todo o valor exportado no mês.
Na comparação com junho, a madeira serrada de Pinus cresceu 1% em volume e 2,9% em valor, enquanto o compensado de Pinus registrou retrações moderadas, de 1,8% em volume e 2,6% em valor. A queda mais acentuada do volume total veio principalmente da tora de eucalipto, com recuo de 65,8%, e da madeira serrada tropical, com retração de 26,8%. Juntos, esses dois produtos responderam por cerca de 97% da redução líquida do volume exportado entre junho e julho.
No caso da madeira serrada de Pinus, um dado chama atenção: México e Estados Unidos praticamente empataram como destinos em julho, com US$ 15,0 milhões exportados para cada mercado. No acumulado do ano, os Estados Unidos ainda lideram, com US$ 99,7 milhões, seguidos pelo México, com US$ 91,6 milhões.
Fonte: WoodFlow, com dados ComexStat.
06 de agosto de 2026