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03 de agosto de 2026
Fretes marítimos recuam após pico em julho
Os fretes marítimos encerraram o mês de julho de 2026 com sinais de alívio, mas ainda em patamares elevados para quem depende de previsibilidade logística. Conforme a C.H. Robinson, o mês não se comportou como uma alta temporada sincronizada: a pressão variou conforme a rota, em meio à antecipação de embarques, retirada de serviços, restrições de equipamentos e desvios provocados por instabilidades nas rotas internacionais. Para os exportadores brasileiros de madeira, esse quadro reforça que a negociação de frete deixou de ser apenas uma etapa operacional e passou a influenciar a margem, prazo e competitividade no fechamento dos contratos.
No início do mês, a Xeneta registrou avanço expressivo das tarifas spot nas principais rotas globais, com altas semanais entre 7% e 15% em 3 de julho. A pressão vinha da combinação entre demanda antecipada, capacidade ainda limitada e incertezas comerciais, especialmente nas rotas ligadas aos Estados Unidos. Nas semanas seguintes, a própria Xeneta passou a apontar estabilização e depois queda moderada dos preços, à medida que as transportadoras colocaram mais capacidade no mercado e a demanda perdeu força.
Esse movimento também apareceu no World Container Index da Drewry, que em 23 de julho mostrou queda de 4% no índice global, para US$ 4.374 por contêiner de 40 pés, depois de semanas de valorização. A retração foi puxada principalmente pelas rotas Ásia-Europa e transpacíficas, mas não eliminou o risco de novos repiques.
Em paralelo, a Reuters mostrou que as ameaças à navegação no Mar Vermelho, no Canal de Suez e nas rotas de energia do Oriente Médio continuaram pressionando seguros, tempo de trânsito e custos de combustível, fatores que podem ser repassados às tarifas por meio de sobretaxas.
Para a madeira brasileira, o sinal de julho é de cautela. Madeira serrada, compensados e painéis competem em mercados sensíveis a preço, prazo e regularidade de entrega. Com o frete ainda volátil, qualquer aumento no custo logístico pode reduzir a margem ou tornar a proposta menos competitiva diante de outros fornecedores globais. O cenário pede booking antecipado, comparação entre rotas, negociação próxima com armadores e agentes de carga e cálculos comerciais que já considerem a possibilidade de novas oscilações. O alívio recente, portanto, não deve ser lido como normalização definitiva, mas como uma trégua em um mercado ainda sujeito a choques de demanda, capacidade e geopolítica.
13 de julho de 2026